Superproteção

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Eu sempre achei interessante o filme Jimmy Bolha, achava assustador a ideia de pais quererem os filhos só para eles. Me espantava tamanha superproteção (tá certo que o Jimmy tinha problemas imunológicos e seus pais queriam o melhor para ele).

Até que eu me tornei mãe.

Eu desejava que o mundo parasse e fosse só nós dois ali naquele momento. Este sentimento me consumia por semanas. Eu perdi o sono muitas noites e não me importava em ficar te admirando. Não gostava de te dividir com ninguém, não te queria em outros colos. Qual a necessidade, se eu estava o tempo todo disponível para te proteger e te dar amor? Eu demorei a entender que você precisava deste contato com outras pessoas, que isso seria bom para você.

Mesmo tendo passado tantos meses desde que você nasceu, ainda me pego em pensamentos bizarros e super protetores. Se eu pudesse te colocaria em uma bolha e te manteria a salvo deste mundo tão cruel. Não é errado amar, amar muito. Seria errado ter abortado, maltratá-lo. O amor  é perigoso, devemos tomar cuidado com ele. Eu não pretendo sufocar o Arthur, mas sei que se não me policiar isso vai acontecer. Ser mãe é viver com o coração na mão, se preocupando com cada segundo.

Isso me faz lembrar tudo o que minha vó passou na minha adolescência, todos os medos dela, todos aqueles sermões que eram chatos e pra mim não faziam sentido. Hoje estou eu aqui, pensando que daqui uns 13 anos estarei fazendo os mesmos discursos chatos e com as mesmas olheiras por noites sem dormir. Queria que você ficasse assim para sempre, pequeno o suficiente para eu não te perder de vista. É bom saber sempre onde você está e como está.

Você esta crescendo, não precisa mais de mim para comer ou caminhar e a partir de agora tudo seguirá assim, você conquistando sua independência a cada dia. Eu tenho medo, medo de ficar de lado por muito tempo, medo de não ser o suficiente, medo de ser uma mãe chata, medo de não ser uma boa mãe…medos e mais medos. Mas todos os dias quando eu chego tu me abraça bem forte, me beija e fala: – Te amo mamãe!!

Isso me leva ao paraíso, não existem mais dias ruins, dor ou qualquer outra coisa. Eu estou aproveitando cada segundo ao seu lado, pois a idade chega, um dia você vai querer ser livre e voar por ai. Neste dia quero estar preparada… não quero fazer drama, nem melancolia. Ou talvez eu até faça, já imagino a cena: eu abraçada no Ramón chorando na porta te dando tchau, e tu dizendo: – Pai cuida da mãe.

Ou algo assim, como nos filmes, mas até lá eu te mordo, te cheiro, te dou dengo e o melhor de tudo: te tenho só para mim.

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