Gravidez de risco – a descoberta

Neste texto AQUI comentei que tive uma complicação na gravidez e hoje venho por meio deste post esclarecê-la.

Quando eu descobri que estava grávida fui no mesmo dia marcar a primeira consulta do pré-natal. A médica me pediu alguns exames e eu voltaria no próximo mês.

Tudo começou muito bem. O primeiro trimestre morei em Sapiranga perto da minha família, depois em alguns meses me mudei para outra cidade.

Em todos as consultas eu escutava a mesma coisa:

-Está tudo bem, o peso de vocês esta bom, parabéns.

Maaaaas…

Lembro-me perfeitamente de uma terça-feira que o Ramón foi almoçar em casa, logo após o almoço eu fui marcar médico pois tinha consulta na outra semana. Tinha um vento estranho naquele dia.

O posto era há uns 10 minutos da minha casa. Fui lá, marquei a consulta e voltei para casa. Chegando em casa comecei a vomitar muito, muito mesmo. Não dei bola pois eu enjoava tanto que já parecia normal.

Depois de tomar água sentei na cadeira e comecei a sentir umas fisgadinhas nas costas pensei que fosse do peso da barriga que já estava começando a aparecer, logo depois dor de cabeça. Comecei a ficar assustada, tomei banho e fiquei falando com o Ramón pelo celular.

As fisgadinhas não passavam, a dor de cabeça aumentava e eu já nem tinha mais o que vomitar. Ramón foi em casa e me levou junto com ele para a “cidade”. Por volta das 17:00 horas melhorei um pouco e fui tomar um suco mas não consegui, minha garganta doía demais.

Resolvemos algumas coisas e fomos para casa…Fiquei deitada com um pouco de dor. Quando era quase meia noite o Ramón tinha terminado de fazer enroladinhos e eu fui no banheiro, comecei a chorar e ele veio correndo ver o que era, tinha sangue na minha calcinha. Fomos para o hospital, chegando lá fui examinada e uma das poucas coisas que a enfermeira me disse era que eu estava em trabalho de parto mas não podia ganhar o bebê ainda, pois não tinha entrado no 7º mês.

Me deram remédio no soro e eu senti sono, eu juro para vocês que na hora não caia a ficha de quão grave era a situação. Fiquei calma, depois mais exames e uma injeção para amadurecimento dos pulmões do bebê, muito dolorida por sinal.

No começo da madrugada me encaminharam para Porto Alegre, pois lá teria mais chances de eu conseguir segurar o bebê, ou se precisássemos teríamos uma UTI neo-natal.

Chegando lá, o desespero bateu, eu estava a quilômetros de distância da minha avó (que me criou e é minha base), eu tinha só 17 anos e estava passando pelo pior dia da minha vida.

Lá em Porto Alegre me colocaram em um quarto com no minimo mais umas 10 mulheres (TODAS TINHAM UMA ATENÇÃO EXCELENTE). Uma ganhava, saía da sala e logo outra entrava. Eu me lembro de muito tumulto (não aconteceu nada ruim, deve ser apenas por ter sido um péssimo dia).

Me examinaram várias vezes fazendo o tal do toque, minha placenta estava baixa, Arthur na posição para parto normal e pronto para sair a qualquer momento eu já estava com dilatação.

Ainda nesta mesma madrugada sentia fisgadinhas que segundo as médicas eram minhas contrações (sim, nada de ficar igual a menina do exorcista, era só uma fisgadinha), então me deram um remédio para dor, para que eu conseguisse dormir.

O detalhe a seguir quase me matou. Como na minha casa não costumava ter Dipirona Sódica, eu não sabia que era alérgica, e adivinhem o que ela me deu direto na veia: sim, Dipirona.

Comecei a passar muito mal e ela me disse que o tremor era normal pois a Dipirona acelera o coração. Neste exato momento eu quase tive um infarto e quase não sobra nada de mim para contar esta história. O pior é que neste momento o Ramón tinha ido assinar meus papeis no hospital e eu estava lá quase morrendo e sozinha.

Não sei se me deram algo ou se passou sozinho mas lembro de depois olhar para a porta e ver ele, ali perto e me senti um pouquinho melhor.

Passei mais dois dias no hospital, retirando muito sangue para exames, alguns litros de soro e levei mais duas injeções de amadurecimento de pulmão. Fui liberada na sexta-feira pela manhã, com meu baby dentro da barriga, calminho e com a sabendo que nunca mais poderia usar nada com Dipirona Sódica.

E foi constatado ameaça de aborto espontâneo. 

Em outro texto conto sobre o parto turbulento.

E uma dica muito importante: qualquer coisa que vocês sentirem liguem para o obstetra, procurem alguém especializado, não corram riscos como eu, que achava que tudo era normal.

Aqui eu estava no hospital:

medico Aqui eu já tinha voltado para casa, e estava MUITO inchada:chegeui medico

 

 

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